11 Fevereiro 2009
09 Fevereiro 2009
Cinco segundos (o que faria você mudar?)
Eu havia entrado em um elevador - bege, com as portas metálicas. Estava acompanhada de uma amiga e seu bebê; na verdade, eu só iria acompanhá-los até a entrada de seu apartamento (a saída do elevador já era o hall). Chegamos ao andar onde deveriam descer. Eles saem, minha amiga se despede de mim, segurando minha mão. Ela sorri, eu olho com ternura seu filho pela última vez. A porta fecha... sinto um solavanco. Me assusto. As luzes do elevador piscam. O elevador desce um pouco num solavanco. E então ele despenca de vez.
Durante a queda, não me lembro de muita coisa. Uma luz voltou a funcionar e ficava no meu rosto. Meu coração dispara e salta dentro do meu peito. Um som metálico ensurdecedor. E a certeza de que iria morrer naquele momento.
O primeiro e único pensamento que me vem à mente: Deus. Não há onde mais focar o pensamento. Tudo, problemas, doença, desavenças, alegrias, conquistas, tudo, tudo some. Nada mais tem importância. Meus móveis, meu apartamento, meus amigos, minha família, não há tempo para me lembrar deles. São poucos segundos, nosso coração se torna seletivo. Só o que é mais importante, só o que é acima de tudo pode surgir em minha cabeça.
É atemorizador os segundos que antecedem a morte. Mas o conforto de encontrar Deus faz com que o medo se torne menor. É um filho se jogando nos braços do pai (que é um clichê extremamente utilizado nas igrejas, mas que eu pude compreender em toda sua amplitude). Porque, convenhamos, não tem mais jeito. Então fecho os olhos e oro: "Senhor! Me recebe, vem me buscar, porque vou morrer. Quero ver teu rosto."
Foram cerca de 5 segundos de queda. Ao invés da morte, acordo com dor no peito, sem ar, coração saltando, uma injeção de adrenalina desconfortável. O rosto colado no couro do sofá, babado - dormi na sala, vendo jornal. A roupa ensopada de suor. Levo um tempo para entender que estava na minha casa, na escuridão, com desenhos da janela da sala na parede, formados pela luz do poste. Demoro alguns momentos para entender que foi um pesadelo. Foi muito real. Os sons, o medo, a entrega dos últimos segundos de vida a Deus. E, finalmente, a gratidão por estar viva.
O que me levou a ter este sonho? Bom, certamente o jornal noticiou a queda do elevador em São Carlos ocorrida ontem. Certamente noticiou a entrevista da mãe dos oito gêmeos nos EUA. Não sei. Não me lembro de ter visto isto ontem especificamente (quando ainda estava acordada), só hoje de manhã, mas certamente as reportagens passaram quando eu estava dormindo e meu cérebro se apropriou disto.
Mas de manhã, quando eu já estava segura de minha vidinha, eu me lembrei do absurdo da experiência da morte.
"Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa" Tg 4;14.
Não pude evitar o pensamento: "E se hoje fosse o dia de minha morte, realmente?" Lembrei-me de algumas pessoas. Uma pessoa com quem eu gostaria de falar, uma outra pessoa de quem eu gostaria de ter retribuído o sorriso e não o fiz, uma pessoa que gostaria de abraçar, uma pessoa com quem eu preciso fazer as pazes. Uma pessoa para quem gostaria de dar um telefonema há semanas. Esta última, ao menos, eu gostaria de resolver... Peguei o telefone e liguei.
Com a fragilidade de todo ser humano, lembrei que não temos noção de tempo, e não temos sequer ciência das oportunidades que perdemos: de estar com quem amamos, de crescer, de amadurecer, de tratar as pessoas bem.
"Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" Ec. 9;10
Érica
Durante a queda, não me lembro de muita coisa. Uma luz voltou a funcionar e ficava no meu rosto. Meu coração dispara e salta dentro do meu peito. Um som metálico ensurdecedor. E a certeza de que iria morrer naquele momento.
O primeiro e único pensamento que me vem à mente: Deus. Não há onde mais focar o pensamento. Tudo, problemas, doença, desavenças, alegrias, conquistas, tudo, tudo some. Nada mais tem importância. Meus móveis, meu apartamento, meus amigos, minha família, não há tempo para me lembrar deles. São poucos segundos, nosso coração se torna seletivo. Só o que é mais importante, só o que é acima de tudo pode surgir em minha cabeça.
É atemorizador os segundos que antecedem a morte. Mas o conforto de encontrar Deus faz com que o medo se torne menor. É um filho se jogando nos braços do pai (que é um clichê extremamente utilizado nas igrejas, mas que eu pude compreender em toda sua amplitude). Porque, convenhamos, não tem mais jeito. Então fecho os olhos e oro: "Senhor! Me recebe, vem me buscar, porque vou morrer. Quero ver teu rosto."
Foram cerca de 5 segundos de queda. Ao invés da morte, acordo com dor no peito, sem ar, coração saltando, uma injeção de adrenalina desconfortável. O rosto colado no couro do sofá, babado - dormi na sala, vendo jornal. A roupa ensopada de suor. Levo um tempo para entender que estava na minha casa, na escuridão, com desenhos da janela da sala na parede, formados pela luz do poste. Demoro alguns momentos para entender que foi um pesadelo. Foi muito real. Os sons, o medo, a entrega dos últimos segundos de vida a Deus. E, finalmente, a gratidão por estar viva.
O que me levou a ter este sonho? Bom, certamente o jornal noticiou a queda do elevador em São Carlos ocorrida ontem. Certamente noticiou a entrevista da mãe dos oito gêmeos nos EUA. Não sei. Não me lembro de ter visto isto ontem especificamente (quando ainda estava acordada), só hoje de manhã, mas certamente as reportagens passaram quando eu estava dormindo e meu cérebro se apropriou disto.
Mas de manhã, quando eu já estava segura de minha vidinha, eu me lembrei do absurdo da experiência da morte.
"Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa" Tg 4;14.
Não pude evitar o pensamento: "E se hoje fosse o dia de minha morte, realmente?" Lembrei-me de algumas pessoas. Uma pessoa com quem eu gostaria de falar, uma outra pessoa de quem eu gostaria de ter retribuído o sorriso e não o fiz, uma pessoa que gostaria de abraçar, uma pessoa com quem eu preciso fazer as pazes. Uma pessoa para quem gostaria de dar um telefonema há semanas. Esta última, ao menos, eu gostaria de resolver... Peguei o telefone e liguei.
Com a fragilidade de todo ser humano, lembrei que não temos noção de tempo, e não temos sequer ciência das oportunidades que perdemos: de estar com quem amamos, de crescer, de amadurecer, de tratar as pessoas bem.
"Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" Ec. 9;10
Érica
Change - Tracy Chapman
Se você soubesse que iria morrer hoje,
Se você visse a face de Deus e seu amor,
você mudaria?
(...)
Quão ruins ou boas (as coisas) têm de ficar?
Quão ruins ou boas (as coisas) têm de ficar?
Quantas perdas, quanto arrependimento?
Que reação em cadeia traria efeito?
Que faz você dar meia volta,
que faz você tentar explicar,
que faz você perdoar e esquecer,
que faria você mudar?
06 Fevereiro 2009
Obama Fala sobre fé e governo
Numa conversa com um importante líder religioso dos Estados Unidos, Rick Warren, o novo presidente americano fala sobre o bem e o mal, sobre um mundo melhor e os valores que irá utilizar no seu governo.
Por Rick Warren
Rick Warren: A Bíblia diz que integridade e amor são a base da liderança. Esta é uma questão difícil. Ao fazer um autoexame, qual seria a maior falha moral da sua vida? E a maior falha moral dos Estados Unidos?
Barack Obama: Eu dividiria a minha vida em estágios. Tive uma juventude difícil. Meu pai não esteve presente. Houve ocasiões em que experimentei drogas. Bebi na adolescência. E considero que isso ocorreu por causa de um certo egoísmo de minha parte. Eu estava tão obcecado comigo e com as razões para me sentir insatisfeito que não conseguia me concentrar nos outros. Quando me vejo dando um mau passo, acho que na maioria das vezes é porque estou tentando me proteger, em vez de tentar seguir a obra de Deus.
Rick Warren: Sim, o egoísmo fundamental.
Obama: Acho, então, que essa é a minha falha.
Rick Warren: E quanto aos Estados Unidos?
Obama: Acho que a maior falha moral do país, durante a minha vida, tem sido ainda não termos seguido aquele preceito básico em Mateus de que o que se faz ao menor dos meus irmãos é feito a mim.
Rick Warren: É feito a mim, isso mesmo.
Obama: E esse princípio se aplica à pobreza, ao racismo e ao machismo. Aplica-se a não pensar em criar oportunidades para que as pessoas cheguem à classe média. Há a sensação generalizada de que este país, por mais rico e poderoso que seja, não investe tempo suficiente para pensar nessas questões.
Rick Warren: Qual a posição política mais importante que o senhor defendeu há dez anos e que não defende mais, sobre a qual mudou de ideia porque hoje tem outro ponto de vista?
Obama: Um bom exemplo seria a questão da previdência social. Sempre acreditei que nosso sistema de apoio governamental ao bem-estar dos pobres tinha de mudar, mas temia que a legislação a esse respeito, aprovada inicialmente pelo presidente Clinton há uns dez anos, tivesse resultado desastroso. Trabalhei na legislatura do Estado de Illinois para garantir assistência médica, assistência médica infantil e outros serviços às mulheres que perderiam o direito à política da previdência social. Funcionou melhor do que muita gente previa. E uma das coisas de que estou absolutamente convencido é que precisamos exigir que quem recebe auxílio do governo tem de procurar emprego, como peça central de todas as políticas sociais. Não só porque, em última análise, quem trabalha consegue mais renda, mas por causa da dignidade intrínseca ao trabalho, da sensação de ser útil.
Rick Warren: O senhor não deixa dúvidas quanto a sua fé em Jesus Cristo. O que isso significa na sua vida? O que quer dizer confiar em Cristo e o que isso significa no cotidiano?
Obama: Para começar, significa que acredito que Jesus Cristo morreu pelos meus pecados e que sou redimido por Ele. Essa é uma fonte de força e sustentação no dia-a-dia. Sei que não caminho sozinho e acredito que, se me desviar do caminho, talvez possa levar comigo algum ensinamento do que Ele pretende que seja minha vida. E isso significa que tenho esperança de que os pecados que venho cometendo regularmente sejam perdoados. Mas também significa que há um tipo de obrigação a aceitar, não só com palavras, mas com ações: as expectativas que Deus tem em relação a nós. E isso significa pensar nos menores detalhes. Significa agir com justiça e caridade e andar humildemente com Deus. E tentar aplicar essas lições no dia-a-dia, sabendo que vamos ficar um pouco aquém a cada dia, e conseguir tomar nota e dizer: “Bom, não funcionou do jeito que achei que funcionaria, mas talvez eu ainda possa melhorar um pouquinho.” Isso me dá confiança para tentar coisas novas, até mesmo concorrer à presidência, na qual, certamente, vamos errar de vez em quando.
Rick Warren: Vamos tratar do aborto. Em que ponto o bebê passa a ter direitos humanos, na sua opinião?
Obama: Acho que, se a gente olha essa questão do ponto de vista teológico ou científico, responder com certeza está além do meu alcance. Mas vou falar em termos mais gerais sobre a questão do aborto.Estou convencido de que haja um elemento ético e moral nessa questão. Assim, acho que quem tenta negar as dificuldades morais e a gravidade da questão do aborto não está prestando atenção. Esse seria o ponto número 1. Mas o ponto número 2 é que sou a favor da escolha, não porque seja favorável ao aborto, mas porque, em última análise, não acho que as mulheres tomem esse tipo de decisão com leviandade. Elas lidam com o problema de um jeito profundo, consultando o marido, os médicos, o pastor, e os membros da família.Então, para mim, o objetivo agora deveria ser – e é aí que podemos encontrar um terreno em comum – reduzir o número de abortos.
Rick Warren: O senhor já votou para limitar ou reduzir os abortos?
Obama: Sou a favor, por exemplo, de estabelecer parâmetros quanto aos abortos na fase final da gestação se houver risco para a saúde da mãe. Agora, do ponto de vista dos que são a favor da vida, eles considerariam isso inadequado. E respeito a opinião deles. Sabe, uma das coisas que eu sempre disse é que, nessa questão, não dá para discutir com quem acredita que a vida começa na concepção e é coerente com essa crença, porque, para essa pessoa, esta é uma questão de fé. O que posso fazer é perguntar: “Existe uma maneira de trabalharmos juntos para reduzir o número de gravidezes indesejadas, para realmente reduzirmos a sensação de que as mulheres procuram o aborto?” Como exemplo disso, uma das coisas de que já falei é: como oferecer recursos que permitam às mulheres optar por ter o filho? Nós lhes demos a assistência médica de que necessitam? Nós lhes demos os serviços de apoio de que precisam? Nós lhes demos as opções de adoção necessárias? Isso pode fazer grande diferença.
Warren: O senhor pode definir o que é o casamento?
Obama: Acredito que casamento é a união entre um homem e uma mulher. Agora, para mim, como cristão, é também uma união sagrada.
Rick Warren: Apoiaria uma emenda constitucional com essa definição?
Obama: Não, não apoiaria.
Rick Warren: Por que não?
Obama: Porque, em termos históricos, não definimos o casamento na nossa Constituição. Essa tem sido uma questão de lei estadual, de acordo com nossa tradição. A razão pela qual alguns acham que é preciso haver uma emenda constitucional se deve à preocupação com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não promovo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas acredito em uniões civis. Acredito que, quando um homossexual deseja visitar seu parceiro no hospital, por exemplo, o Estado deveria dizer: “Querem saber? Está certo.” Acho que isso não contradiz em nada minha crença básica no que é o casamento. Minha fé e meu casamento são bastante sólidos e me permitem conceder esses direitos civis a outros, mesmo que eu tenha um ponto de vista ou opinião diferente.
Rick Warren: O senhor acha que o mal existe? E, se existe, nós o ignoramos? Negociamos com ele? Podemos restringi-lo? Vencê-lo?
Obama: Acho que o mal existe. Quero dizer, acho que vemos o mal o tempo todo. Vemos o mal em Darfur. Vemos o mal, infelizmente, nas ruas das nossas cidades. Vemos o mal nos pais que agridem cruelmente os filhos. E isso tem de ser enfrentado. Tem de ser enfrentado diretamente. Algo em que acredito com toda a minha força é que, como indivíduos, não somos capazes de apagar o mal do mundo. Essa tarefa é de Deus. Mas podemos ser soldados nesse processo, e enfrentá-lo quando o vemos.Agora, o único aspecto importantíssimo para nós é ter uma certa humildade quando abordamos a questão de enfrentar o mal, porque, historicamente, muito mal já foi cometido com base na alegação de que estávamos tentando enfrentá-lo.
Rick Warren: Em nome do bem?
Obama: Em nome do bem. E acho que é importantíssimo ter uma certa humildade e reconhecer que, só porque achamos que nossas intenções são boas, isso não significa que vamos, de fato, fazer o bem.
Rick Warren: Vamos falar da responsabilidade deste país para com o restante do mundo. Somos uma nação muito abençoada e somos abençoados por sermos, também, uma bênção. A quem muito se dá muito se exige. Assim, vamos tratar de algumas dessas questões, as questões internacionais. Em primeiro lugar, vamos falar da guerra. Como cidadão dos Estados Unidos, pelo que vale a pena morrer? Pelo que vale a pena sacrificar vidas?
Obama: Obviamente, pela liberdade americana, pelas vidas americanas, pelos interesses nacionais americanos.
Rick Warren: Qual seria o seu critério para usar soldados a fim de acabar com o genocídio, como o que está acontecendo em Darfur?
Obama: Acho que não existe uma direção clara e precisa na qual a gente diz: "Pronto, vamos em frente.” Acredito que o caso sempre é de avaliação. O princípio básico tem de ser: se está em nosso poder impedir a matança e o genocídio, e se podemos agir com a comunidade internacional para impedir, então devemos agir.
RickWarren: E quanto à perseguição religiosa. O que o sennhor acha que os Estados Unidos deveriam fazer para dar fim à perseguição religiosa, por exemplo, na China, no Iraque e em muitos de nossos supostos aliados? Não falo apenas em perseguição do cristianismo, mas há perseguição religiosa no mundo inteiro, que afeta milhões de pessoas.
Obama: Primeiramente, o que temos de fazer é dar testemunho e falar, e não fingir que isso não está acontecendo. Ter um governo que se pronuncia, que participa de fóruns internacionais, onde podemos denunciar o desrespeito aos direitos humanos e a ausência de liberdade religiosa; acho que isso é fundamental. E algo que considero da maior importância fazermos em todas essas questões é liderar pelo exemplo. Por isso é tão importante para nós ter tolerância religiosa aqui nos Estados Unidos. Por isso é tão importante, enquanto criticamos outros países sobre o estado de direito, garantir que obedecemos ao estado de direito, que respeitamos a garantia de habeas corpus, que não praticamos tortura. Isso nos dá padrões morais para falar das outras questões.
Rick Warren foi considerado uma das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo” pela revista Time e, “justificadamente, o pastor mais importante dos Estados Unidos” pela revista The Economist. Seu livro Uma vida com propósitos vendeu mais de 40 milhões de exemplares em mais de 50 idiomas, e a rede de igrejas Purpose Driven tem congregações em 162 países. Esses trechos da entrevista de Warren com Barack Obama, antes da eleição, foram resumidos para maior clareza.
Fonte: Seleções (via Pavablog)
Por Rick Warren
Rick Warren: A Bíblia diz que integridade e amor são a base da liderança. Esta é uma questão difícil. Ao fazer um autoexame, qual seria a maior falha moral da sua vida? E a maior falha moral dos Estados Unidos?
Barack Obama: Eu dividiria a minha vida em estágios. Tive uma juventude difícil. Meu pai não esteve presente. Houve ocasiões em que experimentei drogas. Bebi na adolescência. E considero que isso ocorreu por causa de um certo egoísmo de minha parte. Eu estava tão obcecado comigo e com as razões para me sentir insatisfeito que não conseguia me concentrar nos outros. Quando me vejo dando um mau passo, acho que na maioria das vezes é porque estou tentando me proteger, em vez de tentar seguir a obra de Deus.
Rick Warren: Sim, o egoísmo fundamental.
Obama: Acho, então, que essa é a minha falha.
Rick Warren: E quanto aos Estados Unidos?
Obama: Acho que a maior falha moral do país, durante a minha vida, tem sido ainda não termos seguido aquele preceito básico em Mateus de que o que se faz ao menor dos meus irmãos é feito a mim.
Rick Warren: É feito a mim, isso mesmo.
Obama: E esse princípio se aplica à pobreza, ao racismo e ao machismo. Aplica-se a não pensar em criar oportunidades para que as pessoas cheguem à classe média. Há a sensação generalizada de que este país, por mais rico e poderoso que seja, não investe tempo suficiente para pensar nessas questões.
Rick Warren: Qual a posição política mais importante que o senhor defendeu há dez anos e que não defende mais, sobre a qual mudou de ideia porque hoje tem outro ponto de vista?
Obama: Um bom exemplo seria a questão da previdência social. Sempre acreditei que nosso sistema de apoio governamental ao bem-estar dos pobres tinha de mudar, mas temia que a legislação a esse respeito, aprovada inicialmente pelo presidente Clinton há uns dez anos, tivesse resultado desastroso. Trabalhei na legislatura do Estado de Illinois para garantir assistência médica, assistência médica infantil e outros serviços às mulheres que perderiam o direito à política da previdência social. Funcionou melhor do que muita gente previa. E uma das coisas de que estou absolutamente convencido é que precisamos exigir que quem recebe auxílio do governo tem de procurar emprego, como peça central de todas as políticas sociais. Não só porque, em última análise, quem trabalha consegue mais renda, mas por causa da dignidade intrínseca ao trabalho, da sensação de ser útil.
Rick Warren: O senhor não deixa dúvidas quanto a sua fé em Jesus Cristo. O que isso significa na sua vida? O que quer dizer confiar em Cristo e o que isso significa no cotidiano?
Obama: Para começar, significa que acredito que Jesus Cristo morreu pelos meus pecados e que sou redimido por Ele. Essa é uma fonte de força e sustentação no dia-a-dia. Sei que não caminho sozinho e acredito que, se me desviar do caminho, talvez possa levar comigo algum ensinamento do que Ele pretende que seja minha vida. E isso significa que tenho esperança de que os pecados que venho cometendo regularmente sejam perdoados. Mas também significa que há um tipo de obrigação a aceitar, não só com palavras, mas com ações: as expectativas que Deus tem em relação a nós. E isso significa pensar nos menores detalhes. Significa agir com justiça e caridade e andar humildemente com Deus. E tentar aplicar essas lições no dia-a-dia, sabendo que vamos ficar um pouco aquém a cada dia, e conseguir tomar nota e dizer: “Bom, não funcionou do jeito que achei que funcionaria, mas talvez eu ainda possa melhorar um pouquinho.” Isso me dá confiança para tentar coisas novas, até mesmo concorrer à presidência, na qual, certamente, vamos errar de vez em quando.
Rick Warren: Vamos tratar do aborto. Em que ponto o bebê passa a ter direitos humanos, na sua opinião?
Obama: Acho que, se a gente olha essa questão do ponto de vista teológico ou científico, responder com certeza está além do meu alcance. Mas vou falar em termos mais gerais sobre a questão do aborto.Estou convencido de que haja um elemento ético e moral nessa questão. Assim, acho que quem tenta negar as dificuldades morais e a gravidade da questão do aborto não está prestando atenção. Esse seria o ponto número 1. Mas o ponto número 2 é que sou a favor da escolha, não porque seja favorável ao aborto, mas porque, em última análise, não acho que as mulheres tomem esse tipo de decisão com leviandade. Elas lidam com o problema de um jeito profundo, consultando o marido, os médicos, o pastor, e os membros da família.Então, para mim, o objetivo agora deveria ser – e é aí que podemos encontrar um terreno em comum – reduzir o número de abortos.
Rick Warren: O senhor já votou para limitar ou reduzir os abortos?
Obama: Sou a favor, por exemplo, de estabelecer parâmetros quanto aos abortos na fase final da gestação se houver risco para a saúde da mãe. Agora, do ponto de vista dos que são a favor da vida, eles considerariam isso inadequado. E respeito a opinião deles. Sabe, uma das coisas que eu sempre disse é que, nessa questão, não dá para discutir com quem acredita que a vida começa na concepção e é coerente com essa crença, porque, para essa pessoa, esta é uma questão de fé. O que posso fazer é perguntar: “Existe uma maneira de trabalharmos juntos para reduzir o número de gravidezes indesejadas, para realmente reduzirmos a sensação de que as mulheres procuram o aborto?” Como exemplo disso, uma das coisas de que já falei é: como oferecer recursos que permitam às mulheres optar por ter o filho? Nós lhes demos a assistência médica de que necessitam? Nós lhes demos os serviços de apoio de que precisam? Nós lhes demos as opções de adoção necessárias? Isso pode fazer grande diferença.
Warren: O senhor pode definir o que é o casamento?
Obama: Acredito que casamento é a união entre um homem e uma mulher. Agora, para mim, como cristão, é também uma união sagrada.
Rick Warren: Apoiaria uma emenda constitucional com essa definição?
Obama: Não, não apoiaria.
Rick Warren: Por que não?
Obama: Porque, em termos históricos, não definimos o casamento na nossa Constituição. Essa tem sido uma questão de lei estadual, de acordo com nossa tradição. A razão pela qual alguns acham que é preciso haver uma emenda constitucional se deve à preocupação com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não promovo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas acredito em uniões civis. Acredito que, quando um homossexual deseja visitar seu parceiro no hospital, por exemplo, o Estado deveria dizer: “Querem saber? Está certo.” Acho que isso não contradiz em nada minha crença básica no que é o casamento. Minha fé e meu casamento são bastante sólidos e me permitem conceder esses direitos civis a outros, mesmo que eu tenha um ponto de vista ou opinião diferente.
Rick Warren: O senhor acha que o mal existe? E, se existe, nós o ignoramos? Negociamos com ele? Podemos restringi-lo? Vencê-lo?
Obama: Acho que o mal existe. Quero dizer, acho que vemos o mal o tempo todo. Vemos o mal em Darfur. Vemos o mal, infelizmente, nas ruas das nossas cidades. Vemos o mal nos pais que agridem cruelmente os filhos. E isso tem de ser enfrentado. Tem de ser enfrentado diretamente. Algo em que acredito com toda a minha força é que, como indivíduos, não somos capazes de apagar o mal do mundo. Essa tarefa é de Deus. Mas podemos ser soldados nesse processo, e enfrentá-lo quando o vemos.Agora, o único aspecto importantíssimo para nós é ter uma certa humildade quando abordamos a questão de enfrentar o mal, porque, historicamente, muito mal já foi cometido com base na alegação de que estávamos tentando enfrentá-lo.
Rick Warren: Em nome do bem?
Obama: Em nome do bem. E acho que é importantíssimo ter uma certa humildade e reconhecer que, só porque achamos que nossas intenções são boas, isso não significa que vamos, de fato, fazer o bem.
Rick Warren: Vamos falar da responsabilidade deste país para com o restante do mundo. Somos uma nação muito abençoada e somos abençoados por sermos, também, uma bênção. A quem muito se dá muito se exige. Assim, vamos tratar de algumas dessas questões, as questões internacionais. Em primeiro lugar, vamos falar da guerra. Como cidadão dos Estados Unidos, pelo que vale a pena morrer? Pelo que vale a pena sacrificar vidas?
Obama: Obviamente, pela liberdade americana, pelas vidas americanas, pelos interesses nacionais americanos.
Rick Warren: Qual seria o seu critério para usar soldados a fim de acabar com o genocídio, como o que está acontecendo em Darfur?
Obama: Acho que não existe uma direção clara e precisa na qual a gente diz: "Pronto, vamos em frente.” Acredito que o caso sempre é de avaliação. O princípio básico tem de ser: se está em nosso poder impedir a matança e o genocídio, e se podemos agir com a comunidade internacional para impedir, então devemos agir.
RickWarren: E quanto à perseguição religiosa. O que o sennhor acha que os Estados Unidos deveriam fazer para dar fim à perseguição religiosa, por exemplo, na China, no Iraque e em muitos de nossos supostos aliados? Não falo apenas em perseguição do cristianismo, mas há perseguição religiosa no mundo inteiro, que afeta milhões de pessoas.
Obama: Primeiramente, o que temos de fazer é dar testemunho e falar, e não fingir que isso não está acontecendo. Ter um governo que se pronuncia, que participa de fóruns internacionais, onde podemos denunciar o desrespeito aos direitos humanos e a ausência de liberdade religiosa; acho que isso é fundamental. E algo que considero da maior importância fazermos em todas essas questões é liderar pelo exemplo. Por isso é tão importante para nós ter tolerância religiosa aqui nos Estados Unidos. Por isso é tão importante, enquanto criticamos outros países sobre o estado de direito, garantir que obedecemos ao estado de direito, que respeitamos a garantia de habeas corpus, que não praticamos tortura. Isso nos dá padrões morais para falar das outras questões.
Rick Warren foi considerado uma das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo” pela revista Time e, “justificadamente, o pastor mais importante dos Estados Unidos” pela revista The Economist. Seu livro Uma vida com propósitos vendeu mais de 40 milhões de exemplares em mais de 50 idiomas, e a rede de igrejas Purpose Driven tem congregações em 162 países. Esses trechos da entrevista de Warren com Barack Obama, antes da eleição, foram resumidos para maior clareza.
Fonte: Seleções (via Pavablog)
19 Novembro 2008
Meu compromisso pelo Seu favor?
Amor incondicional é difícil de entender, quanto mais a graça. O ser humano entende bem o sistema de trocas, justamente porque nosso mundo é de trocas. “Eu te amo se você me amar”, “Se você não me ajudar, eu não te ajudo”, “Fale mal de mim que eu vou falar mal de você”, “Me liga que eu te ligo de volta”. Tudo tem um porquê e todos os seus atos vão ter uma conseqüência, boa ou ruim.
O mundo nos diz, em alto em bom som: “Cuidado para não pisar na bola, você pode perder seu emprego, você pode perder amizades, você pode perder o amor de alguém a qualquer momento.” Renato Russo, em uma de suas muitas músicas deprimentes, canta: “Esse é o nosso mundo/ O que é demais nunca é o bastante/ A primeira vez é sempre a última chance”. E é mesmo.
Mas... E a tal da Graça?É difícil para nós entendermos a graça de Deus. Tanto que sempre, em nosso dia a dia, tentamos barganhar com Ele. “Senhor, me ajuda a sair do aperto financeiro, que eu volto a dar o dízimo!” (isso dizemos no nosso coração, nem precisamos ser adeptos de teorias de prosperidade!), “Senhor, eu vou à igreja e vou ter uma vida de oração, daí o Senhor vai me dar isso ou aquilo!”, “Eu vou dedicar mais tempo pro Senhor, daí então Ele vai acertar minha vida!”. Imagino que Ele, lá do Seu trono, lá do alto, deve nos olhar aqui embaixo e pensar: “Você é pequeno, muito pequeno. O que você pode me dar que eu aproveite nesta barganha?”
"Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu." Jó 41:11
“Se alguém diz a Deus: Sofri, não pecarei mais; o que não vejo, ensina-mo Tu. Se cometi injustiça, jamais a tornarei a praticar, acaso deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres? Acaso deve dizer Ele: Escolhe tu, e não eu; declaras o que sabe, fala?” Jó 34 31-33
Deus não é um Deus de barganha, é um Deus de Graça, justamente porque não temos nada a oferecer. A barganha acontece quando a troca é vantajosa para ambos os lados. Mas se você se comportar bem ou mal, isso vai afetar a SUA vida, mas não vai afetar Deus.
“Atenta para os céus e vê; contempla as altas nuvens acima de ti. Se pecas, que mal lhes causa tu? Se suas transgressões se multiplicam, que lhe fazes? Se és justo, que lhes dás ou que lhe recebe da tua mão? A tua impiedade só pode fazer mal ao homem como a tu mesmo; e a tua injustiça, dar proveito ao filho do homem” Jó 35: 5-8
Nossos comportamentos, nossa dedicação, nosso empenho, nosso comprometimento e nossa santidade devem ser conseqüência de nossa vida com Deus. Não podemos dedicar nossa vida a Deus, ao louvor, ou ter qualquer atitude achando que Deus deverá nos recompensar. Não temos mérito nenhum. Deus te deu tudo o que você tem pela graça. Esta roupa que você veste neste momento é graça. O seu almoço de hoje é graça. Sua saúde é graça. Sua família é graça. Você poder ler este texto é graça.
Mas, sinceramente, é alto demais para eu entender. Eu tenho dificuldades de realmente entender isso. Eu não tenho como pagar isso. E, ainda assim, Deus é bom e misericordioso comigo, dia após dia, renovando suas misericórdias gratuitamente a cada manhã, sem eu entender, sem eu merecer, e muitas vezes, sem eu sequer pedir. Só pela Sua graça. E o mais importante: não importa o que eu faça, Ele vai sempre me amar, e eu jamais vou perder isso. Deus continuará a cuidar de mim, pois sabe que eu preciso dEle. "Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
O mundo nos diz, em alto em bom som: “Cuidado para não pisar na bola, você pode perder seu emprego, você pode perder amizades, você pode perder o amor de alguém a qualquer momento.” Renato Russo, em uma de suas muitas músicas deprimentes, canta: “Esse é o nosso mundo/ O que é demais nunca é o bastante/ A primeira vez é sempre a última chance”. E é mesmo.
Mas... E a tal da Graça?É difícil para nós entendermos a graça de Deus. Tanto que sempre, em nosso dia a dia, tentamos barganhar com Ele. “Senhor, me ajuda a sair do aperto financeiro, que eu volto a dar o dízimo!” (isso dizemos no nosso coração, nem precisamos ser adeptos de teorias de prosperidade!), “Senhor, eu vou à igreja e vou ter uma vida de oração, daí o Senhor vai me dar isso ou aquilo!”, “Eu vou dedicar mais tempo pro Senhor, daí então Ele vai acertar minha vida!”. Imagino que Ele, lá do Seu trono, lá do alto, deve nos olhar aqui embaixo e pensar: “Você é pequeno, muito pequeno. O que você pode me dar que eu aproveite nesta barganha?”
"Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu." Jó 41:11
“Se alguém diz a Deus: Sofri, não pecarei mais; o que não vejo, ensina-mo Tu. Se cometi injustiça, jamais a tornarei a praticar, acaso deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres? Acaso deve dizer Ele: Escolhe tu, e não eu; declaras o que sabe, fala?” Jó 34 31-33
Deus não é um Deus de barganha, é um Deus de Graça, justamente porque não temos nada a oferecer. A barganha acontece quando a troca é vantajosa para ambos os lados. Mas se você se comportar bem ou mal, isso vai afetar a SUA vida, mas não vai afetar Deus.
“Atenta para os céus e vê; contempla as altas nuvens acima de ti. Se pecas, que mal lhes causa tu? Se suas transgressões se multiplicam, que lhe fazes? Se és justo, que lhes dás ou que lhe recebe da tua mão? A tua impiedade só pode fazer mal ao homem como a tu mesmo; e a tua injustiça, dar proveito ao filho do homem” Jó 35: 5-8
Nossos comportamentos, nossa dedicação, nosso empenho, nosso comprometimento e nossa santidade devem ser conseqüência de nossa vida com Deus. Não podemos dedicar nossa vida a Deus, ao louvor, ou ter qualquer atitude achando que Deus deverá nos recompensar. Não temos mérito nenhum. Deus te deu tudo o que você tem pela graça. Esta roupa que você veste neste momento é graça. O seu almoço de hoje é graça. Sua saúde é graça. Sua família é graça. Você poder ler este texto é graça.
Mas, sinceramente, é alto demais para eu entender. Eu tenho dificuldades de realmente entender isso. Eu não tenho como pagar isso. E, ainda assim, Deus é bom e misericordioso comigo, dia após dia, renovando suas misericórdias gratuitamente a cada manhã, sem eu entender, sem eu merecer, e muitas vezes, sem eu sequer pedir. Só pela Sua graça. E o mais importante: não importa o que eu faça, Ele vai sempre me amar, e eu jamais vou perder isso. Deus continuará a cuidar de mim, pois sabe que eu preciso dEle. "Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
07 Outubro 2008
O Deus que diz NÃO
Hoje eu perdi meu ônibus para Uberlândia. Fiz tudo certo, verifiquei tudo de que precisava para viajar; só precisava retirar a passagem, que já havia sido comprada, no balcão, antes de pegar a estrada. No entanto, a pessoa que comprou os ingressos se confundiu, e emitiu o bilhete para 22hs, e não 23hs. Resultado: perdi o ônibus. Não foi nada que eu fiz errado, não foi nenhum ato de maldade da pessoa que emitiu o bilhete. Simplesmente aconteceu.
Deus é um Deus de detalhes, me disse nestes dias uma pessoa. Muitos de nós, crentes, muitas vezes achamos que Deus faz uma distribuição de tarefas, e diz: "Eu cuido das coisas importantes, você cuida dos detalhes". Eu não creio que seja assim. A vida é um conjunto inacabável de detalhes que definem nosso destino. É o segundo ao atravessar a rua, é o "x" que você marcou no vestibular, é a moeda para a passagem de metrô, é o milésimo de segundo em que você toma a decisão ao desviar de um carro na rodovia, é o bilhete do ônibus. Você consegue controlar tudo isso?
Ficamos chateados quando oramos por uma coisa e não recebemos. Planejamos de acordo com nossos corações. Mas Deus não dá o que pedimos. OU ainda, Deus dá, depois tira (Jó 1:21). Faltou fé? Faltou perseverança na oração? Eu não estou à altura do emprego que sonhava? Não sou boa o suficiente para estar com a pessoa com quem sonho me casar? Não mereço viajar de férias? Aquela pessoa que eu amo não merece a cura da doença? Deus não sabe sobre meus sonhos? Deus ignora meus desejos? Não, pois diz: "A esperança adiada adoece o coração..."
Quando oramos por algo e recebemos um NÃO de Deus, ficamos sem entender os motivos, e ficamos a procurar em nós mesmos. Muitos de nós, ao receber um não, entram em um estado constante de negação, dizendo: "Meu coração quer muito, e eu sinto que vou conseguir o que quero. Deus que colocou esta vontade no meu coração, então vou receber". Outros se rebelam contra Deus, como se Ele fosse um gênio da Lâmpada, que deve estar disposto a nos dar tudo o que o nosso coração quer.
As coisas não são desta forma, Deus deixa claro por toda a Bíblia que a vontade dEle, não somente para o curso do universo, mas para os detalhes de nossas vidas, é soberana. Existem milhares de fatores nos nosssos sonhos e desejos sobre os quais não temos o menor conhecimento. Por maior que seja o conhecimento que temos sobre determinados assuntos sobre os quais sonhamos, Deus conhece todos os detalhes. Aquela mulher pode ser boa esposa para outro homem, e não para você. O emprego que você quer, que tem um salário ótimo, e parece juntar tudo o que você sempre quis, mas pode não ser bom para você. Aquela casa que você quis comprar pode te causar problemas no futuro. Quem sabe das coisas que estão por vir? Nós temos sabedoria suficiente sobre o que devemos ou não fazer com nossas próprias vidas?
Quando perdemos algo que queremos muito, devemos sempre ter em mente: este não é o último ônibus da estação. Existe um lugar cativo para mim, que irá me levar ao meu destino. Talvez, não o destino que você veja hoje como o melhor. Talvez você nunca saberá o porquê da perda. Lembre-se: Deus jamais explicou a Jó sobre suas perdas, mas disse a nós, para que aprendamos sobre a Sua vontade soberana. Devemos, apesar de nossas dores, dos maus prognósticos, da falta de perspectiva, esperar em Deus. Mas esperar não a resposta que queremos, mas a resposta de acordo com a vontade dEle. Talvez a resposta dEle seja não. Mas Ele dá consolo e força. Isto é fé. Se nos falta, devemos pedi-la, buscá-la constantemente. Porque é isto que Ele quer de nós.
Deus é um Deus de detalhes, me disse nestes dias uma pessoa. Muitos de nós, crentes, muitas vezes achamos que Deus faz uma distribuição de tarefas, e diz: "Eu cuido das coisas importantes, você cuida dos detalhes". Eu não creio que seja assim. A vida é um conjunto inacabável de detalhes que definem nosso destino. É o segundo ao atravessar a rua, é o "x" que você marcou no vestibular, é a moeda para a passagem de metrô, é o milésimo de segundo em que você toma a decisão ao desviar de um carro na rodovia, é o bilhete do ônibus. Você consegue controlar tudo isso?
Ficamos chateados quando oramos por uma coisa e não recebemos. Planejamos de acordo com nossos corações. Mas Deus não dá o que pedimos. OU ainda, Deus dá, depois tira (Jó 1:21). Faltou fé? Faltou perseverança na oração? Eu não estou à altura do emprego que sonhava? Não sou boa o suficiente para estar com a pessoa com quem sonho me casar? Não mereço viajar de férias? Aquela pessoa que eu amo não merece a cura da doença? Deus não sabe sobre meus sonhos? Deus ignora meus desejos? Não, pois diz: "A esperança adiada adoece o coração..."
Quando oramos por algo e recebemos um NÃO de Deus, ficamos sem entender os motivos, e ficamos a procurar em nós mesmos. Muitos de nós, ao receber um não, entram em um estado constante de negação, dizendo: "Meu coração quer muito, e eu sinto que vou conseguir o que quero. Deus que colocou esta vontade no meu coração, então vou receber". Outros se rebelam contra Deus, como se Ele fosse um gênio da Lâmpada, que deve estar disposto a nos dar tudo o que o nosso coração quer.
As coisas não são desta forma, Deus deixa claro por toda a Bíblia que a vontade dEle, não somente para o curso do universo, mas para os detalhes de nossas vidas, é soberana. Existem milhares de fatores nos nosssos sonhos e desejos sobre os quais não temos o menor conhecimento. Por maior que seja o conhecimento que temos sobre determinados assuntos sobre os quais sonhamos, Deus conhece todos os detalhes. Aquela mulher pode ser boa esposa para outro homem, e não para você. O emprego que você quer, que tem um salário ótimo, e parece juntar tudo o que você sempre quis, mas pode não ser bom para você. Aquela casa que você quis comprar pode te causar problemas no futuro. Quem sabe das coisas que estão por vir? Nós temos sabedoria suficiente sobre o que devemos ou não fazer com nossas próprias vidas?
Quando perdemos algo que queremos muito, devemos sempre ter em mente: este não é o último ônibus da estação. Existe um lugar cativo para mim, que irá me levar ao meu destino. Talvez, não o destino que você veja hoje como o melhor. Talvez você nunca saberá o porquê da perda. Lembre-se: Deus jamais explicou a Jó sobre suas perdas, mas disse a nós, para que aprendamos sobre a Sua vontade soberana. Devemos, apesar de nossas dores, dos maus prognósticos, da falta de perspectiva, esperar em Deus. Mas esperar não a resposta que queremos, mas a resposta de acordo com a vontade dEle. Talvez a resposta dEle seja não. Mas Ele dá consolo e força. Isto é fé. Se nos falta, devemos pedi-la, buscá-la constantemente. Porque é isto que Ele quer de nós.
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